quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Gárgula



Frio e sólido
Até o fim
Sangue e poeira
No meu jardim
Do homem morto
Que escolheu assim

No mais alto castelo
Vejo a mais bela criação
Se autodestruindo
Por sua própria ambição
Assim recusei da lua
Descongelar meu coração

Num ultimo voo
Vi um triste pensar
Que uma vida ia mudar
Se ao seu irmão assassinar
E assim a paz encontrar
Mesmo se no futuro lamentar

Vi o homem adorar o ouro
Se esquecendo da humanidade
Escravizando seus irmãos
Governando com crueldade
Destruindo seu próprio lar
Se declarando divindade

Vi guerras, mortes, desespero
Ódio, traição, fome, desprezo

Não quero mais ver
Pedi a lua solidão
Que não mais me libertasse
De minha própria prisão
Adormecido para sempre
No alto, na escuridão.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Martírio





Sei o que quer
Todas as noites
Com esse sorriso
Frio e sarcástico

Quer que eu prove
Esse sangue escuro
Tirado da vida do inocente
Doce e inseguro

Se eu provar do sangue
Paras de me torturar?

Meu anjo já me esqueceu
Deixara-me para voar às estrelas
Nua e linda com minhas asas
Arrancadas de min sem pensar
Com minhas próprias mãos
Só para vê-la voar de novo

Não vou me importar
Se eu viciar no sangue
Não tenho mais asas
Talvez a escuridão me abrigue
E eu possa em fim descansar
E esquecer o que é voar