sábado, 25 de agosto de 2012

Alessa




Me leve deste lugar
Não consigo dormir
Os sussurros e os murmúrios
Do passado me chamam
Acusam-me de traição
Apontam-me o assassino

Abra seu mundo
Tome-me como servo
Do seu pecado
Do seu sangue

Além do paraíso
Do monte de gelo
Dos corpos amaldiçoados
Onde mora minha deusa
Embaixo da terra molhada
De pele cinza de podre

Ela ama a todos
Que entendem sua dor
Apenas os que se curvam
Podem ver sua lagrimas
Sempre a seguirei
Ate o fim dos tempos.

sábado, 28 de julho de 2012

Adeus




Não faz sentido
A estrada e seu fim
O barro e as pedras
As lágrimas e o sangue

Vou andando
Mas desta vez
Sem pressa
Perdi a noção
Do meu rumo
Da minha casa

Devagar nos passos
Cada vez mais lento
Mais escuro
Mais silencioso

As coisas no mesmo lugar
Mas desta vez sem vida
Perderam o sentido
As árvores, a lua, a noite
Volto pelo mesmo caminho
Mas sozinho

Minha garganta seca
Não consegui dizer adeus
Engasguei na minha angústia
E quando me virei
Uma única lágrima desceu
O último suspiro de esperança.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Estranha




É como se eu soubesse
Fazê-la sorrir o tempo todo
Sem precisar te conhecer
Porque o que eu sinto
Eu nunca senti antes
Tão forte e puro

Somos estranhos
Num beco sujo
No meio da noite
Nesta cidade perdida

Nascemos para este momento
Acordamos do pesadelo
De estar perdido
Num caminho escuro

Não faz nenhum sentido
Se não sei nem o seu nome
Mas eu sinto seu coração
Batendo no meu peito
Conectados
Num só corpo

Podemos ficar aqui
Sempre ate o fim
E podemos nos deitar
Na terra fria
Trocando olhares
Até adormecer.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Morta




Minhas mãos sujas de terra
Não posso te tocar assim
Seu rosto branco e frio
Não pude chegar a tempo
Queria estar ao seu lado
Tirar sua dor antes do fim

Não entendia seu olhar antes
Sombrio e inocente
Junto a um sorriso lindo
Mas agora eu sei
Só queria amor
Meu amor

Quando deitávamos na grama
Olhando as estrelas
Como elas eram vivas
Dançando a luz da lua
Eu sempre te abraçava
Enquanto dormia em paz

Preciso ir com você
Dormir em paz
Abrace-me
No fim
Como eu fazia
Com amor.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Inverno




Meu coração ainda bate
devagar, frio, com medo
parando mais a cada segundo
sangrando com a dor
um sangue gelado
como seu último olhar

Noite eterna
brisa suave e morta
abraçe-me na escuridão
é doce seu beijo
minha loucura fria
faça-me sangrar de novo

Continua nevando
nunca vai acabar
branca como sua pele
suave como seu toque
lembranças que viram lágrimas
lágrimas que viram gelo.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Lobo solitário




Quero sentir a noite
mas só consigo sozinho
somente o som
da brisa nas folhas
vão ocupar minha mente
quando fechar os olhos

Mae lua
não deixe que adormeça
quando admiro seu sorriso
mantendo meu coração aquecido
e meu corpo frio esta noite

Estou longe da matilha
espero que nunca me encontrem
uivarei a lua
compartilhando toda essa dor
até que um coração solitário
me encontre nas sombras

sábado, 7 de abril de 2012

Saída



Me deixe levar você
tirar esse peso
deitar ao seu lado
te fazer sonhar

Queria te tirar do abismo
trazer o silêncio
proteger seu corpo
curar as feridas
secar as lágrimas
te levar deles

Segure minhas mãos
esse é o caminho
vou te tirar daqui
a lua vai mostrar o caminho
eu te amo tanto
eles não podem nos encontrar.

sábado, 31 de março de 2012

Lembranças



É tarde...
não consigo parar de pensar
naquela que deixei para tráz
foi meu pior erro
medo de ser seu.

A lua está chorando...
ou talvez apenas um reflexo
dessa dor maldita
em que quiz compartilhar
minhas lágrimas contidas.

O sol ja vai nascer...
sua imagem me assombra
meu coração bate forte
ele quer sair do peito
e ir ate você.

Meus olhos vão se fechando
com eles meu suspiro
sonhando com seu calor
não quero mais acordar
não seja apenas um sonho...

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Gárgula



Frio e sólido
Até o fim
Sangue e poeira
No meu jardim
Do homem morto
Que escolheu assim

No mais alto castelo
Vejo a mais bela criação
Se autodestruindo
Por sua própria ambição
Assim recusei da lua
Descongelar meu coração

Num ultimo voo
Vi um triste pensar
Que uma vida ia mudar
Se ao seu irmão assassinar
E assim a paz encontrar
Mesmo se no futuro lamentar

Vi o homem adorar o ouro
Se esquecendo da humanidade
Escravizando seus irmãos
Governando com crueldade
Destruindo seu próprio lar
Se declarando divindade

Vi guerras, mortes, desespero
Ódio, traição, fome, desprezo

Não quero mais ver
Pedi a lua solidão
Que não mais me libertasse
De minha própria prisão
Adormecido para sempre
No alto, na escuridão.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Martírio





Sei o que quer
Todas as noites
Com esse sorriso
Frio e sarcástico

Quer que eu prove
Esse sangue escuro
Tirado da vida do inocente
Doce e inseguro

Se eu provar do sangue
Paras de me torturar?

Meu anjo já me esqueceu
Deixara-me para voar às estrelas
Nua e linda com minhas asas
Arrancadas de min sem pensar
Com minhas próprias mãos
Só para vê-la voar de novo

Não vou me importar
Se eu viciar no sangue
Não tenho mais asas
Talvez a escuridão me abrigue
E eu possa em fim descansar
E esquecer o que é voar

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Asas de sangue



Seja meu anjo
Vestida de noiva
Subindo ao altar
Manchando o chão
De vinho e sangue
Saído de suas veias


Seja meu pecado
Porque só eu sei
Como ele sangra
Seu coração negro
Morto para o amor
Corrompido pelo silêncio

Tente voar comigo
Mesmo com asas mutiladas
Porque se cair no abismo
Não mais me importarei
Pois estarei firme
Segurando em suas mãos.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Esquecido



Não consigo entender mais
Porque me deixou?
Meus sonhos, meus pesadelos
Sei que você os construía
Fazia-me rir e chorar
E logo, acordar

Sentia sua presença
Quando usava minhas mãos
E tirava belos poemas,
Lágrimas caíam dos meus olhos
Eu sorria e entendia
O que realmente sentia

Não me deixe sozinho
Sei que vou morrer
Se não entender o que sinto
Não me deixe ainda
Não consegui te encontrar
Ainda não vi seu rosto

Mostrou-me minhas asas
Mostrou-me sua dança
Abraçou-me enquanto dormia
Sei que pode me entender
E ninguém mais
Volte, e nunca mais me deixe.